Uauá,
02 Novembro de 1931, nasce na fazenda Pedra de Sal,
Antônio Sabino Marques da Silva, filho de Ana
Maria Silva e Sabino Marques da Silva, criança
ativa, sapeca, ficou órfão de pai aos
7 anos de idade onde recebeu a proteção
de vários amigos durante a infância,
como o Sr. João Bodeiro, o seu padrinho Elias,
Quimquim e Dona Alexadrina. Ainda criança morando
na roça vinha à cidade só a passeio
toda segunda-feira para a feira de livre de Uauá,
assim foi se apaixonando pela cidade.
Cavachão “Eu só vinha na cidade de oito em
oito dias, um dia cheguei em Uauá e encontrei
um circo na cidade foi ai que me apaixonei pelo danado
do circo, foi ai que vim embora da roça para
a cidade’’.
Por
volta de 1941 aos 10 anos mudou-se definitivamente
para a sede do município de Uauá onde
vai morar na casa do Senhor Olimpio Cardoso, onde
fazia serviços domésticos para sobreviver,
carregava água, lenha e cuidava dos bichos,
já rapaz começou a trabalhar como servente
de pedreiro carregado massa, adobos e cavava valas,
o pagamento vinha em forma de produtos como uma troca
de farinha, rapadura e charque (carne do Sertão).
Cavachão
“Não tinha fogão a gás
naquela época era só fogão a
lenha, neste mesmo tempo comecei a trabalhar na padaria
de Dona Nair, como ajudante de padeiro e logo depois
na inspetoria do DNOCS (Departamento Nacional de Obras
Contra a Seca), trabalhava o dia todo cavando o chão
e a noite dormia em baixo de umbuzeiro dentro de um
carrinho de mão, o frio era tanto que eu fazia
um foguinho em baixo do carrinho de mão para
poder dormir”.
Ainda
jovem fazendo economia, comprou o seu primeiro violão
adorava música e o violão só
tinha duas cordas. A noite abraçava o violão
e percebia que nos movimentos dos dedos e das cordas
saia a melodia perfeita para suas composições,
assim começou a tocar e a participar de festas
por todo sertão, nascia assim o Sábia
o Cavachão.
Precisando
dar um passo adiante na vida em 1950, foi para capital,
em busca de trabalho onde participou da construção
da maternidade Nita Costa, como sevente de pedreiro
conta o Sábia que ficou careca de tanto carregar
balde de cimento na cabeça, o seu lazer era
o violão no intervalo do almoço, assim
surgiu sua primeira composição por volta
de 1951 intitulada, DEPOIS DE ARREPENDIDO e foi escrita
em um momento raro de inspiração em
pedaço de papel de saco de cimento com um pedaço
de carvão, cantou e agradou, convite não
faltava. Participava de festas casamentos, aniversários,
batizados e serestas. Em 1951 compôs UAUÁ
uma declaração de amor a sua terra natal
fonte inspiradora da sua música.
Em
1954 trabalhando como servente na construção
da Escola de enfermagem da UFBA (Universidade Federal
da Bahia), recebeu um convite de Riachão, compositor
baiano renomado, para ir a sua casa. Riachão
que estava sem parceiro pois fazia dupla com Riachinho,
pediu a Cavachão para fazer a 2ª voz da
música Índia, Riachão fez a 1ª
Voz e Cavachão fez a 2ª .
Cavachão
“Foi mole eu costumado a cantar aquela música,
ele gostou e depois cantou a música Domingo
e Segunda e o Doutor gostou, isso foi em uma sexta-feira
a noite, ai ele marcou o ensaio no sábado e
domingo, fizemos o carnaval na praia no Porto da Barra
programa feito pela Rádio Sociedade da Bahia,
pela manhã a pedidos do público repetimos
as músicas 3 vezes, a partir deste momento
eu já estava contratado para cantar na rádio,
e a noite cantamos no programa de Auditório
da Rádio Sociedade, como a dupla não
tinha nome, uma pessoa que não min recordo
o nome disse a Riachão esse cara canta como
um Sabiá, e ele já estava procurando
um nome para a dupla, e min perguntou de onde eu era,
respondi de imediato sou do Uauá, eles min
perguntaram onde ficava este lugar, eu disse perto
de Juazeiro da Bahia, Riachão satisfeito perguntou
ao povo do auditório se ficava, Riachão
e Uauá, Riachão e Juazeiro ou Riachão
e Sabiá a platéia foi unânime
e escolheu Riachão e Sábiá’’.
Por
volta de 1955 a dupla Riachão e Sabiá
era famosa no cenário baiano, recebia cartas
de todo interior do estado. As participações
diárias no programa sertanejo da Rádio
Sociedade renderam fama a dupla, que chegou a ser
contratada pelos os diretores da Rádio, na
época Claudio Tavares e Odorico Tavares e logo
passaram a funcionários. Com a fama conheceram
pessoas importantes no cenário nacional como
Senhor Assis Chateaubriand – dono da Rede de
Rádio do Brasil e conhecido como o pai da televisão
Brasileira.
Em 1958 com o fim do programa de auditório,
a dupla se desfez.
Cavachão
“Com o fim do programa a dupla acabou e eu voltei
pro sertão, foi ai que meu irmão Maninho
de Ana viu minhas composições, e pediu
para fazer uma música para o candidato a prefeito
Edson Borges o (Edinho) que concorria contra, Belinho
só que Edinho perdeu a eleição,
e eu pra não perder a música botei o
nome de Belinho, foi assim que Belinho muito contente
min levou para Aracajú, e lá eu gravei
pela primeira vez em 1958 com o conjunto Melódico
da Atalaia, era aquele disco grande de 78 rotações
e tinha duas músicas gravadas 1 de cada lado,
de um lado gravei a música de Belinho e do
outro Uauá’’.
Ainda
em Uauá, Cavachão começou a tocar
no conjunto musical de Chico Dorope que era composto
de 7 componentes, Chico no Clarinete, Ranulfo na Sanfona
(Veinho), Auto Barbosa no pé de bode (sanfona
de oito baixo) , Zé Pé Queimado e Cavachão
no violão, Bico Doce no banjo, Cancão
no pandeiro e Zé de Janoca no timbal.
Em
1961 Cavachão vai para São Paulo, e
começa a trabalhar entregando bebidas no caminhão
da Sinzano mais não tinha carteira assinada,
o seu primo Júlio Gato, preocupado diz a ele
para procurar um emprego com carteira assinada é
onde se emprega na Geon do Brasil, aos sábados
e domingos e feriados, Cavachão tocava com
a turma do teatro, o Senhor Pedro e Dona Isolina que
o tratava como filho, mais Cavachão não
gostava de São Paulo, e sentia saudades da
Bahia. Com o casamento marcado Cavachão e despedido
da Geon e volta a Bahia, onde se casa com dona Maria
do Carmo da união nasci em (1964) Verbenia
a primeira filha, seguida de Iane a segunda filha
de (1967) e Antônio Carlos de (1969), Cavachão
morava de aluguel e morou antes da sua atual moradia
em Ondina e São Caetano até esperar
7 anos por uma casa em Mussuruga financiada pela URBIS.
Logo
após a aposentadoria da Secretaria de Saúde
de Salvador em 1992, onde trabalhou muitos anos, Cavachão
viaja para Juazeiro, a convite do seu amigo Janjão
(pai do cantor e compositor Nilton Freitas), onde
grava uma fita K-7, com 17 faixas, 9 de Janjão
e 8 de Cavachão.
Forró
de Uauá
Já com uma longa jornada artística em
1999, Cavachão é convidado pela prefeitura
municipal de Uauá na gestão do Prefeito
Wilson Menezes, (Pitu) para participar da gravação
do cd Forró de Uauá vol. nº1, que
contou com a participação de vários
artistas locais como Zé de Auto do Grupo Tradição,
que eternizou a musica de seu pai (Auto Barbosa) Vem
ver São João, João Batata, que
cantou Benção Mãezinha música
de Cavachão, Osmilton Ribeiro, Pedro Peixinho,
Jorge Trindade, Rosa Maria, Marcos Vaza entre outros.
Cavachão participou cantando, Juazeiro Novo
e é Hora de Sorrir, no ano seguinte em 2000,
a convite de Gildemar Sena, Coordenador de Cultura
na época, gravou o cd Forró de Uauá
vol nº2, com o seguinte tema Cavachão
e convidados, desta feita com todas as músicas
de sua autoria, mais também com participação
dos artista e músicos de Uauá. Neste
mesmo ano Cavachão participou de um festival
promovido pela Fundação Gregório
de Matos, onde ganhou em 1º Lugar com a música
Meu Sertão. Em 2001 Cavachão é
convidado para fazer um show com Riachão na
Casa do Comércio, acabou fazendo 3 shows´,
após recebeu o convite de Riachão para
participar das gravações do seu cd (Humanénuochu), que
teve a participação de grandes artistas
do cenário nacional, como Caetano Veloso, Ton Zé, Gilberto
Gil, Carlinhos Brow entre outros. Em Agosto de 2001
Cavachão participou com Riachão do programa
do Jô na Rede Globo e de 2 Show no SESC Pompéia
em São Paulo e participou do programa de ensaios
da TVE São Paulo.
Em
Junho de 2006, voltando a sua terra para os festejos
do Padroeiro São João Batista Cavachão
foi homenageado, meses depois recebeu o premio de
melhores do ano no 3º Festival Canta Uauá
onde ficou em 2º lugar no Festival.
Atualmente
Cavachão participa de vários grupos
da terceira idade em Salvador, e todos os anos não
deixa de participar religiosamente, dos festejos de
São João Batista em Uauá sua
terra natal fonte de sua inspiração.