Nos bate-papos das rodas de amigos, principalmente naqueles instantes em que as substâncias energéticas da cevada ou do malte escocês começam a fazer o efeito estimulador da imaginação dos mais ecléticos contadores de casos, ouvimos histórias verdadeiras ou mesmo aquelas fruto da pura criatividade, sempre com ênfase nas narrativas com forte dose de humor. Quase sempre o contador dos casos elege alguém como personagem principal do teatro que se desenrola naquele momento, provocando explosão de risos dos integrantes e motivando ainda mais o consumo etílico.
É nessas ocasiões que nos contam casos absurdos e esdrúxulos, indicando que circunstâncias e situações imprevisíveis pregam verdadeiras peças nas pessoas, às vezes deixando marcas profundas e difíceis de serem apagadas. Foi assim que durante a Exposição de Caprinos e Ovinos de Uauá, em momento de grande descontração e reencontro de pessoas amigas conhecidas em eventos anteriores, ouvi a narrativa que inspira o tema desta crônica, contada com inteligência e muito humor por um jornalista visitante, cujo fato envolve um amigo comum.
Luizão Dagoméia, o personagem, participava de uma agradável farra em determinada Feira de Caprinos, degustando um bode assado regado a certo líquido que “desce redondo”, quando o dito sentiu aquela vontade incontrolável de esvaziar a pipa e se dirigiu ao banheiro. Como sempre acontece nessas horas de aperto, o inevitável aconteceu. Banheiro lotado e reduzida capacidade de tolerância para esperar. Como o baiano tem sempre a solução imediata para esse tipo de problema, como nenhum outro povo, acostumado que é à mijadinha pública sem qualquer cerimônia – prática hoje condenada como crime pela nova lei - o Dagoméia circundou as instalações mais próximas, à procura de um pouco de penumbra ou mesmo escuridão total, para assim descarregar as inutilidades que havia ingerido.
Enquanto estava fora, o celular e sua pasta de trabalho foram guardados pelos amigos de farra e somente três horas depois foram lembrados pelo mijão, que tentou localizá-los através de uma chamada desesperada. Questionado pelos amigos do por que do seu desaparecimento, o fujão passou a contar a sua tragédia.
- Vocês nem imaginam o que me aconteceu! Como o sanitário estava cheio, circulei em volta à procura de um lugar seguro para o descarrego desejado, foi quando vislumbrei uma réstia de luar entre duas paredes indicando que ali adiante havia uma laje de cimento que brilhava, certamente um porto seguro de apoio para o tão esperado alívio.
- E o que isso tem a ver com o seu desaparecimento por tão longo tempo?
- Aí é que está o problema! Comecei a descer o éclair da calça com sofreguidão e, ao invés do alívio esperado, de repente me sintí como se afogasse num profundo mergulho em águas poluídas, pura fedentina, em meio a dejetos meio sólidos! Que tragédia! Que merda! Acabara de cair de corpo inteiro numa fossa que estava aberta! Submergi até o último fio de cabelo!
- E aí parceiro, como se saiu dessa?
- Literalmente, tive de aprender a nadar na merda! Ao sair, imundo, caminhei em direção ao carro, deixando os rastros no solo por onde passava. Entrei no meu veículo que ficou inutilizado com tamanha imundície e me dirigi a casa. Sem celular, nada pude comunicar à família e assim a escuridão da noite me trouxe a proteção para chegar até o chuveiro situado nos fundos da casa. Que alívio!
O leitor pode imaginar como foi difícil concluir esta crônica, elaborada sob risos intensos, imaginando a figura do Luizão Dagoméia lutando para se ver livre de tão indesejáveis excrementos.
Agenor Santos
Novamente estamos diante de um momento de inusitado valor para a vida política brasileira, em que é atribuído a cada cidadão o poder de contribuir com um simples número para a afirmação da sua vontade ou simbolicamente escrever pelo menos uma palavra ou uma linha na história da democracia brasileira.
O grande progresso da lei eleitoral brasileira introduziu a modernidade através da votação eletrônica, cujo avanço tecnológico tem sido procurado por outros países. Realmente atingimos um estágio que deu mais seriedade, rapidez e dignidade às nossas eleições. Eliminou a prática da famigerada chapa eleitoral, que já induzia à concepção de que o eleitor era analfabeto e dependente da orientação de uma chapa modelo pré-marcada pelo seu candidato. Esse modelo incentivava, também, o crime da troca de chapas pelos cabos eleitorais junto aos menos esclarecidos, na porta das seções receptoras do voto, além de viabilizar as falcatruas nas mesas apuradoras, episódios que produziam resultados finais muitas vezes divergentes das expectativas de certos candidatos.
Com todo esse processo de aperfeiçoamento, estamos assistindo, estupefatos, aos comerciais da Justiça Eleitoral, que produzem uma simbiose de risos e vergonha. Em todos eles fica evidente o pensamento de que estamos vivendo uma grande feira, um cassino de apostas ou um mercado do voto, cuja mercadoria principal exposta é a dignidade do nosso eleitor ou a falta dela. Não estou criticando a decisão do TSE quanto a essa linha pedagógica de fazer a politização do cidadão, mesmo porque o adágio popular ensina que “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”, mas é muito forte e chocante a imagem do caminhão de entrega recolhendo em caixas os eleitores que se venderam!
Que já houve progressos sensíveis não tenho dúvidas. Mas, oxalá um dia os recursos usados pelo TSE tenham melhor finalidade educativa, talvez no sentido de traçar o perfil moral, ético, de honestidade, integridade e honradez, características que devem marcar os homens de bem. Quem sabe, por que não gastar um pouco da verba na execração pública do mau caráter dos políticos “Fichas Sujas”, cujo único gesto de dignidade na vida foi renunciarem aos cargos para se livrarem do “Juízo Final”, mas que na eleição seguinte já querem morder o osso novamente? Fica a sugestão para o TSE: trocar a imagem televisiva atual do caminhão recolhendo eleitores vendidos pelas imagens daqueles que devem ser expurgados da vida pública, com a mensagem de aconselhamento ao eleitor, rotulada na caixa: IMPEDIDO / NÃO VOTE!
Mesmo com todo esse universo de questionamentos, que alimentam a incredulidade dos eleitores e conduzem muitos à decisão de não participarem do processo eleitoral, omitindo-se de votar de forma linear, quero dizer aos meus leitores que pior que votar no candidato errado é omitir-se de escolher o melhor nome. Como exemplo, gostaria de ilustrar esta crônica, repetindo as sábias palavras do grande líder Rev. Martin Luther King Jr., já citada na crônica “Um Príncipe mirim no reino da corrupção:
O tema da atualidade é o Meio-Ambiente e é tarefa difícil para qualquer um navegar nessas águas, emitindo opiniões e conceitos num oceano de tanta complexidade. Mas, mesmo não sendo técnico ou especialista no assunto, deparo-me com questionamentos no dia a dia, muito semelhantes à história do Zé Agricultor, escrita pelo Engenheiro Florestal Luciano Pizzato(*), especialista em direito sócio-ambiental e empresário, em cujo currículo está o cargo de Diretor de Parques Nacionais e Reservas do IBDF/IBAMA 88/89 e detentor do 1° Prêmio Nacional de Ecologia. A seriedade e pureza dos fatos narrados merecem que a carta seja reproduzida na íntegra. Tentarei ser fiel ao texto:
“Prezado Luis,
Quanto tempo! Eu sou o Zé, teu colega de ginásio noturno, que chegava atrasado, porque o transporte escolar do sítio sempre atrasava, lembra né? O Zé do sapato sujo! Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a pé mais de meia légua para pegar o caminhão por isso o sapato sujava.
Se não lembrou ainda eu te ajudo. Lembra do Zé Cochilo... hehehe, era eu. Quando eu descia do caminhão de volta pra casa, já era onze e meia da noite, e com a caminhada até em casa, quando eu ia dormi já era mais de meia-noite. De madrugada o pai precisava de ajuda pra tirar leite das vacas. Por isso eu só vivia com sono. Do Zé Cochilo você lembra, né Luis?
Pois é. Estou pensando em mudar para viver aí na cidade que nem vocês. Não que seja ruim o sítio, aqui é bom. Muito mato, passarinho, ar puro... Só que acho que estou estragando muito a tua vida e a de teus amigos aí da cidade. To vendo todo mundo falar que nós da agricultura familiar estamos destruindo o meio ambiente. Veja só. O sítio de pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que parar de estudar) fica só a uma hora de distância da cidade.Todos os matutos daqui já têm luz em casa, mas eu continuo sem ter porque não se pode fincar os postes por dentro, uma tal de APPA que criaram aqui na vizinhança.
Minha água é de um poço que meu avô cavou há muitos anos, uma maravilha, mas um homem do governo veio aqui e falou que tenho que fazer uma outorga da água e pagar uma taxa de uso, porque a água vai se acabar. Se ele falou deve ser verdade, né Luis?
Pra ajudar com as vacas de leite (o pai se foi, né...) contratei Juca, filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Carteira assinada, salário mínimo, tudo direitinho como o contador mandou. Ele morava aqui com nós num quarto dos fundos de casa. Comia com a gente, que nem da família. Mas vieram umas pessoas aqui, do Sindicato e da Delegacia do Trabalho, elas falaram que se o Juca fosse tirar leite das vacas às 5 horas tinha que receber hora extra noturna, e que não podia trabalhar nem sábado nem domingo, mas as vacas daqui não sabem os dias da semana, aí não param de fazer leite. Ô, bichos aí da cidade sabem se guiar pelo calendário?
Essas pessoas ainda foram ver o quarto de Juca, e disseram que o beliche tava 2 cm menor do que devia. Nossa! Eu não sei como encumpridar uma cama, só comprando outra, né Luis? O candeeiro eles disseram que não podia acender no quarto, que tem que ser luz elétrica, que eu tenho que ter um gerador pra ter luz boa no quarto do Juca.
Disseram ainda que a comida que a gente fazia e comia juntos tinha que fazer parte do salário dele. Bom Luis, tive que pedir ao Juca pra voltar pra casa, desempregado, mas muito bem protegido pelos Sindicatos, pelos fiscais e pelas leis. Mas eu acho que não deu muito certo. Semana passada me disseram que ele foi preso na cidade porque botou um chocolate no bolso no supermercado. Levaram ele pra delegacia, bateram nele e não apareceu nem sindicato nem fiscal do trabalho para acudi-lo. Depois que o Juca saiu eu e Marina (lembra dela, né? casei) tiramos o leite às 5 e meia, ai eu levo o leite de carroça até a beira da estrada onde o carro da cooperativa pega todo dia, isso se não chover. Se chover, perco o leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava, hoje eu jogo fora.
Os porcos eu não tenho mais, pois veio outro homem e disse que a distância do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros . Disse que eu tinha que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30 metros de distância do rio, e ainda tinha que fazer umas coisas pra proteger o rio, um tal de digestor. Achei que ele tava certo e disse que ia fazer, mas só que eu sozinho ia demorar uns trinta dia pra fazer, mesmo assim ele ainda me multou, e pra poder pagar eu tive que vender os porcos, as madeiras e as telhas do chiqueiro, fiquei só com as vacas. O promotor disse que desta vez, por esse crime, ele não ai mandar me prender, mas me obrigou a dar 6 cestas básicas pro orfanato da cidade. Ô Luis, aí quando vocês sujam o rio também pagam multa grande, né?
Agora pela água do meu poço eu até posso pagar, mas tô preocupado com a água do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital, todo protegido, com mata ciliar dos dois lados. As vacas agora não podem chegar no rio pra não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar limpinho como os rios aí da cidade. A pocilga já acabou, as vacas não podem chegar perto. Só que alguma coisa tá errada, quando vou na capital nem vejo mata ciliar, nem rio limpo. Só vejo água fedida e lixo boiando pra todo lado. Mas não é o povo da cidade que suja o rio, né Luis? Quem será? Aqui no mato agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão.
Cortar árvore então, Nossa Senhora! Tinha uma árvore grande ao lado de casa que murchou e tava morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a madeira antes dela cair por cima da casa. Fui no escritório daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, fui no Ibama da capital, preenchi uns papéis e voltei para esperar o fiscal vim fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar. Passaram 8 meses e ninguém apareceu pra fazer o tal laudo, aí eu vi que o pau ia cair em cima da casa e derrubei. Pronto! No outro dia chegou o fiscal e me multou. Já recebi uma intimação do Promotor porque virei criminoso reincidente. Primeiro foi os porcos, e agora foi o pau. Acho que desta vez vou ficar preso.
Tô preocupado Luis, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de 500 a 20 mil reais por hectare e por dia. Calculei que se eu for multado eu perco o sítio numa semana. Então é melhor vender, e ir morar onde todo mundo cuida da ecologia. Vou para a cidade, ai tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazer nada errado, só falei dessas coisas porque tenho certeza que a lei é pra todos.
Eu vou morar ai com vocês, Luis. Mais fique tranqüilo, vou usar o dinheiro da venda do sítio primeiro pra comprar essa tal de geladeira. Aqui no sitio eu tenho que pegar tudo na roça. Primeiro a gente planta, cultiva, limpa e só depois colhe pra levar pra casa. Ai é bom que vocês é só abrir a geladeira que tem tudo. Nem dá trabalho, nem planta, nem cuida de galinha, nem porco, nem vaca é só abri a geladeira que a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nós, os criminosos aqui da roça.
Até mais Luis.
Ah, desculpe Luis, não pude mandar a carta com papel reciclado pois não existe por aqui, mas me aguarde até eu vender o sítio.
*(Todos os fatos e situações de multas e exigências são baseados em dados verdadeiros. A sátira não visa atenuar responsabilidades, mas alertar o quanto o tratamento ambiental é desigual e discricionário entre o meio rural e o meio urbano).
A feliz sátira do texto acima, produzido por quem tem vínculos fortes com os órgãos do meio-ambiente, dá autenticidade ao linguajar simples e verdadeiro do homem do campo, é auto-explicativo e exprime todo o drama daquele que produz o nosso alimento. Preocupo-me pelos excessos que são praticados em nome do ambiente.
Quem sabe um dia essa cultura se modifique e, ao invés de uma luta restrita ao meio-ambiente desenvolva-se uma ação mais completa em torno do ambiente-todo, em cujo espaço possa conviver o Zé Agricultor e sua família, assim como todos os demais civilizados da cidade!
Agenor Santos (Bacharel em Administração de Empresas – Pós-Graduando em Adminis- tração Pública) agenor_santos@ig.com.br
Umbuzada.com – Informação em 1º Lugar!
Ao longo de uma trajetória profissional numa empresa como o Banco do Brasil é natural que se acumulem experiências primorosas internas e externas. Acontece com todos. Comigo não poderia ser diferente e assim a memória me obriga a tirar do arquivo algumas lembranças e peço permissão ao leitor para contar algumas:
Em Irecê, 1966, Alcir Dourado, grande seresteiro, tinha um barzinho onde vendia churrasquinho (o famoso “... de gato”) e o Sr. Pedrinho Lucena, o primeiro gerente da agência local do BB, era seu freguês habitual. Certamente que o Alcir se sentia muito honrado em ter o gerente do Banco como cliente e usava isso no seu marketing de venda. Certo dia o Alcir, esperando ouvir palavras estimuladoras e com o fim de impressionar os freqüentadores do bar, pergunta ao seu Pedrinho o que ele achava do churrasco, visto que todo dia levava uns assados para casa. Habituado a tiradas irônicas e alegres, o seu Pedrinho, de grata memória, responde prontamente:
- Eu não sei, porque eu levo os churrascos prá o meu cachorro!
Na Prefeitura de Irecê, anos 60, o dedicado funcionário Aristides, faz uma correspondência a pedido do Sr. Prefeito e, todo garboso e consciente do seu saber de bom redator, leva o texto para ouvir a opinião do seu amigo e colega Ademar Vilela (meu sogro, do qual guardo boa memória). Após a leitura, o Vilela diz para o Aristides:
- Não é possível, foi você sozinho que escreveu isso aqui?
Todo feliz pelo suposto e inesperado elogio o Aristides responde já com emoção na voz:
- Claro que fiz sozinho!
E o Vilela arremata com notável deboche:
- É que prá errar tanto eu pensei que tivesse sido mais de um!
Ocorreu em Gameleira dos Crentes, então Povoado de Irecê, hoje município de João Dourado: Velhinho simpático, chefe do clã dos “Vasconcelos”, muito respeitado, o Sr. Caetano Moreira Vasconcelos deixou preciosas histórias que são sempre recordadas com carinho nas rodas onde se contam casos, pela sagacidade e humor de algumas de suas frases. Dentre elas, recordo algumas:
□ Conta-se que o velho Sr. Caetano estava com um feixe de lenha para conduzir à cidade e, parado à margem da estrada, dava sinal pedindo carona e ninguém parava o carro. Sabiamente, resolveu esconder-se deixando a lenha à vista. Em dado momento, para um carro ao lado do feixe e julgando ter achado um presente dos céus o motorista o coloca no carro no momento exato em que o velhinho esperto sai do seu esconderijo e pede uma carona, que não lhe foi negada. Ao chegar a Irecê pede ao caroneiro que o deixe na casa do seu genro Tenente Wilson e pergunta:
- Você quer descarregar o feixe de lenha na frente ou no fundo da casa, pois o mesmo me pertence.
Desnecessário comentar a cara de enganado do motorista que deu a carona.
□ Partida de futebol em Gameleira dos Crentes (povoado de Irecê, à época), campo sem alambrado, cuja única separação entre a torcida e os jogadores era a linha de cal que demarcava o campo, traves do gol sem rede. Surge um gol duvidoso, daqueles lances que não se sabe se a bola passou por fora ou entrou mesmo, gerando muita confusão e com invasão de torcedores. O juiz já temendo pela sua integridade física, sugere que se consulte um velhinho que estava em pé, ao lado da trave do gol do adversário que, embora torcedor do time da Gameleira era, certamente, uma pessoa íntegra e honesta. E lá vai o Sr. Caetano Vasconcelos dar uma de juiz. Perguntado se viu a bola entrar, respondeu com outra pergunta de forma inteligente e inequívoca, usando de ingênua malícia para a facciosa decisão:
- Eu não sei se foi gol, mas a bola passou entre esses três paus, é gol?
□ O Sr. Adelmo Dourado, muito conhecido pela fama de “rezador” contra mordida de cobra resolve se lançar como candidato a vereador em Irecê. Entregou as suas “chapas” de candidato – sistema anterior à urna eletrônica - para o seu velho amigo Caetano Vasconcelos, confiante que do seu apoio sairiam muitos votos. O sábio Sr. Caetano, honestamente, não deixou de ajudar o amigo e distribuiu as chapas aos eleitores, mas ao fazê-lo tinha o cuidado de dizer:
- Guarde a chapa bem guardada que cobra não lhe morderá, jamais!
E o rezador Adelmo perdeu a eleição e nenhum voto teve na Gameleira.
Acontecia um churrasco em Uauá, na fazenda do Sr. José Ferreira da Silva, militar aposentado, sob o comando do José Hugo, da então Ematerba (hoje EBDA) e lá estava eu presente, como gerente da Agência do BB de Uauá, e quase todo o funcionalismo da agência do BB, além de inúmeras pessoas da sociedade de Uauá. Como não podia faltar lá estava a figura marcante do meu saudoso amigo Diassis (Francisco de Assis Borges Ribeiro), presença que envolvia a todos pela simpatia, espírito sempre alegre e descontraído. De repente Diassis, que gostava muito de brincar com os seus amigos, arma uma pegadinha prá cima do fiscal do Banco - por ética vou omitir o seu nome - e o indaga se não gostaria de conhecer um “plantio de macarrão” que havia ali nos fundos da casa. Alguns sorriram da proposta, mas o fiscal, apenas iniciando a carreira no Banco e não querendo demonstrar desconhecimento dessa nova tecnologia agrícola, embarcou ingenuamente na gozação e, todo faceiro, ergueu-se e partiu com Diassis para a grande descoberta técnica. Ao ouvir os risos generalizados, percebeu o mico cometido e logo retornou meio encabulado!